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r e f á c i o |
O lançamento deste primeiro volume sobre as escolas dos Nathas é
o resultado do esforço do primeiro grupo de especialização
em yoga do Centro de
Estudos de Yoga Narayana e do Colegiado
de Yoga do Brasil Dharmaparishad. A literatura dos Nathas não é
desconhecida do público brasileiro. No início da década
de sessenta, do século XX, o professor Caio Miranda já havia traduzido
e publicado, em seu livro “Hatha Yóga, a ciência da saúde
perfeita”, os dois textos mais populares desta importante escola de pensamento
tântrico: o Hatha Pradipika de Svatmarama e o Gheranda Samhita (o primeiro
recentemente relançado por Pedro Kupfer). Ambos são obras imprescindíveis
para quem se dedica ao estudo do Hatha Yoga.
No momento, quando o yoga passa a ser tratado como uma indústria no ocidente,
a revisão de sua literatura clássica tem uma importância
dupla. Primeiro por demonstrar que tradicionalmente o yoga não se presta
ao sectarismo. O Nathismo ilustra isto de forma cabal. A escola tem sua provável
gênese no budismo tântrico dos chamados oitenta e quatro Maha Siddhas
(siddha = ser perfeito). Nove destes são mestres da escola Natha. Um
deles é Matsyendra Nath, que segundo a mitologia, aprende, na forma de
um peixe, as técnicas do Hatha Yoga quando o deus hindu Shiva as transmitia
à sua esposa Parvati. Goraksha Nath, seu mais importante discípulo,
sistematizou o Hatha Yoga e o principal guru entre os Nathas elegeu Shiva como
o Adinatha, o primeiro grande guru. A mescla religiosa e filosófica não
para por aí. O Nathismo se expandiu para os movimentos místicos
muçulmanos e esteve na gênese da síntese entre islã
e hinduísmo que formaram o Siquismo de Guru Nanak. O segundo aspecto
importante de se retomar a tradição é lembrar os princípios
do Hatha Yoga e procurar corrigir as práticas atuais que hipertrofiam
alguns de seus aspectos em prejuízo de outros, como por exemplo, a predominância
das práticas de asanas em detrimento de pratyahara, dhyana entre outras.
A seleção de textos deste primeiro volume começa com um
ensaio magistral de Mahopadhya Gopinath Kaviraj que apresenta ao leitor a tradição
dos Nathas. Ele é um elemento chave para o aproveitamento dos textos
que vem a seguir. A segunda seleção foi do Goraksha: Shatakam
(os cem versos de Goraksha) o principal preceptor da ordem e um compêndio
das doutrinas e práticas Nathas. O texto apresenta a fisiologia sutil
que guia a prática de asanas, mudras, bandhas e pranayamas; explora a
relação entre a mente e a respiração; expõe
o bhutashuddi como uma das práticas purificatórias e explica os
indícios do estágio do samadhi. É a apresentação
da doutrina Natha nas palavras seu maior expoente.
A seguir vem talvez a obra mais poética do Nathismo: o Shiva Samhita.
Com forte influência do pensamento Kaula, o texto expõe o conflito
entre as doutrinas que levam à moksha; discute o karma e o jnana kanda;
prescreve a recomendação do Gita sobre a ação correta;
discute o mundo fenomenal; retoma a fisiologia sutil; discorre sobre os siddhis;
aborda o adhikarabheda (as diferenças de aptidão) e qual propensão
temperamental torna um aspirante a seguir um dos quatro caminhos tântricos
do yoga: mantra, hatha, laya e raja yoga. É um texto impactante, de grande
inspiração de autoria atribuída ao próprio Shiva.
Para terminar um pequeno compêndio de kriyas ou shat karmas, a prática
yóguica mais esquecida no ocidente. O Sat Karma Samgraha de Chidghananda
Natha é um pequeno compêndio dos shat karmas e nos relembra de
enorme aplicação em processos terapêuticos. É uma
obra cujo valor ultrapassa o interesse daqueles que se dedicam ao yoga; é
uma curiosidade que pode também ser explorada pelos chamados “biólogos
da tradição”, isto é, aqueles que exploram o conhecimento
tradicional pelo viés do método acadêmico.
Este livro foi uma obra coletiva e pretende reiniciar o estudo do Nathismo.
Mas acredito que é uma ótima demonstração para o
público de língua portuguesa da amplitude de uma vertente de pensamento
que se iniciou possivelmente em meados do século V de nossa era e que
se perenizou até os dias atuais.
A venda no
CENTRO DE ESTUDOS
DE YOGA NARAYANA
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