Entrevista com o Sr. Rakesh Sharma – o astronauta indiano

Sr. Rakesh Sharma com
Maria Helena de Bastos Freire

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SRA. MARIA HELENA DE BASTOS FREIRE ENTREVISTA O SR. RAKESH SHARMA– O ASTRONAUTA INDIANO

M.H. – Como você começou seu treinamento em Yoga e a idéia de usá-lo no espaço?

R.S. – Porque todos os vôos espaciais que fizemos, requeriam um grande número de experimentos biomédicos e o Yoga foi um deles. A idéia veio do grupo médico Indiano que redigiram o perfil todo. O objetivo era descobrir se o Yoga poderia melhorar ou digno dos efeitos da leveza. Embora o homem tenha viajado pelo espaço pelos últimos 24 ou 25 anos: o problema da doença do espaço sempre esteve lá, independente de qual preparação tenha sido feita tanto pelo sistema Americano como pelo Soviético. Tivemos uma boa apresentação, pela qual 10 a 15 pessoas, desde astronautas a cosmonautas que foram atacados pela doença do espaço. Assim, o objetivo era descobrir um novo método que,provavelmente daria detalhes. É só um começo, embora o experimento tenha tido sucesso, é difícil dizer: isto é uma resposta!. O que se chega é que estatisticamente não é valido, pois foi só para uma pessoa – para mim. Esta era a idéia.

M.H. – No seu caso, quanto tempo esta preparação yóguica levou?

R.S. – Quando estávamos em treinamento para o vôo espacial, o treinamento levou um ano e meio e, o treinamento físico começou desde o primeiro dia. A preparação da tripulação incluía um cronograma por meio do qual o andamento(histórico) do corpo humano é aumentado; ele tem limites de pico e, então desce. Atinge seu pico e desce novamente.

M.H. – O biorritmo?

R.S. – Não. Estou falando da intensidade do treinamento físico. As sincronizações leves são dadas a fim de que o corpo possa se recuperar, e a escolha do momento oportuno é dividida de tal modo que o pico – o último pico coincida dois a três dias antes do lançamento. Assim, esta é a data que nós estávamos seguindo. Contudo, três meses antes do vôo, parei todo treinamento físico e pratiquei somente Yoga. Em outras palavras, neste vôo tivemos dois cosmonautas soviéticos que estavam seguindo os métodos soviéticos e eu, que nos últimos três meses estive praticando só Yoga. Assim, quaisquer efeitos, positivos ou negativos, teriam sido resultado do Yoga. Durante o vôo me achei muito afortunado por não ter sido atingido por quaisquer sintomas da doença espacial, sendo que os outros dois também ficaram bem. Durante o vôo havia um set de cinco exercícios que eu fazia e que os soviéticos não, como o experimento todo fosse de natureza comparativa. Eles não faziam estes exercícios; eles seguiam seu próprio sistema, enquanto eu fazia Yoga e no final mais uma vez uma comparação foi feita. Foi descoberto que minha adaptação à gravidade zero e minha readaptação à gravidade depois do vôo era tão boa quanto ou, tão ruim quanto aquela dos soviéticos. O que se pode dizer agora é que o sistema Yoguico não é pior do que aquele que estava sendo seguido, mas muito mais deve ser feito para considerá-lo uma contribuição positiva.

M.H. – Do ponto de vista psicológico, você notou qualquer diferença entre seu estado interior e o deles?

R.S. – É difícil dizer porque é subjetivo de pessoa para pessoa, e que por natureza não sou excitável – sou sempre assim. Meu batimento cardíaco natural, por exemplo, é cerca de 48 normalmente, e sempre foi. Foi checado 10 segundos antes do lançamento e o batimento do coração era 64. Embora este fato tenha sido registrado em relação ao Yoga, gosto de pensar que mesmo se não tivesse feito Yoga, teria a habilidade de sempre me acalmar. Porem, não sei.

M.H. – Então, você tem uma natureza yoguica. Poderia especificar o Yoga que fazia no espaço?

R.S. – Como foi há muito tempo, se a sra não se importar, usarei minhas anotações: no período de três meses antes do lançamento, um perfil de 17 minutos.

M.H. – Você finalizava em savasana?

R.S. – Finalizava com Pranayama

M.H. – Você se lembra quanto tempo, quantos minutos ficava em savasana?

R.S. – Aproximadamente 5 minutos.

M.H. – Era conduzido por alguém?

R.S. – Inicialmente era conduzido, depois fazia automaticamente. Esta é a lista. O ponto a ser lembrado aqui é que a maioria dos Asanas era modificada um pouquinho, assim se um entendido os visse, apontaria seu dedo e diria:”esta não é maneira de fazê-lo”.A intenção era, por exemplo, como era pedido que, enquanto abaixássemos nosso dorso, movêssemos nossa cabeça, porque queríamos ao mesmo tempo condicionar nossas câmeras auriculares no ouvir porque isto tinha que ser feito em gravidade zero quando você não pode manter sua verticalidade e, neste caso as câmeras auriculares ficam excitadas. A idéia era, para que se pudesse aclimatar melhor com a adaptação.

M.H. – Então os exercícios foram adaptados. Poderia nos dizer quem era a pessoa encarregada, ou não é possível?

R.S. – Claro que posso. Comandante Rhambagh.

M.H. – Ele é daqui, de Delhi?

R.S. – Não. Ele está agora no Assam, foi designado para um posto lá.

M.H. – Ele está no exercito?

R.S. – Não. Está na aeronáutica como um especialista médico.

M.H. – Ele tem praticado Yoga?

R.S. – Sim, ele pratica Yoga.

M.H. – Sabe quem o treinou? Sabe, gostaria de me aprofundar em sua preparação.

R.S. – Desculpe, não sei, mas sei que posso conseguir esta informação de alguém em Bombay.

M.H. – Pode ser alguém de Santa Cruz, Kaivalyadama ou B.K.S. Iyengar, quem tem um lugar lá?

R.S. – Não sei, posso perguntar ao Comandante. (M.H. escreve o nome).

M.H. – Já teve uma experiência anterior em Yoga?

R.S. – Não.

M.H. – Então foi iniciado com esta finalidade?

R.S. – Também foi pensado que seria uma idéia melhor, para que as condições do treinamento anterior não mascarasse os resultados do experimento medico.

M.H. – Como se sente sobre o Yoga agora? Ainda está praticando ou desistiu?

R.S. – Desisti. É só uma opinião pessoal. Sinto que, se existem meios alternativos de ficar em forma que envolvam squash ou tênis, prefiro fazer estes. Tenho prazer em fazer isto porque há atividade, movimento e como a sra sabe, coordenação neuro-muscular, nada para vencer só recreação mas, o Yoga por si próprio, pelo menos da maneira como fizemos, num quarto fechado tende a se tornar monótono – encarando a parede todo o tempo, por cerca de uma hora.

M.H. – E quanto aos exercícios de meditação e concentração, faziam parte do programa ou não?

R.S. – Não, não faziam parte.

M.H. – Então sua aproximação com o Yoga foi meramente clinica, você não tem nenhum conhecimento desta parte?

R.S. – Não.

M.H. – O modo de vida, a maneira de reagir ao ambiente, e tudo isto?

R.S. – Não. Acho que fui abençoado por já ter nascido assim.

M.H. – Sim. Inclinado ao Yoga por natureza. Qual foi seu sentimento – porque vi a cápsula em Moscou, sobre…

R.S. – Claustofobia?

M.H. – Sim.

R.S. – Sabe, se você fala muito sobre isto, a coisa começa a rondá-lo, se não, não há problema.

M.H. – Isto não é falar muito sobre o assunto, esta parte do treinamento é
que estou muito interessada em saber. No seu caso, você não usou Yoga para isto?

R.S. – Não. Sabe, um dos testes médicos que todos nós tivemos que passar, era ficarmos trancados em um quarto por 72 horas, sem janelas, rádio, revista, nada….., sem luz artificial nem relógios. Então se existisse alguma sensação de claustofobia ela se mostraria naquela hora. Eu realmente me diverti nestas 72 horas.

M.H. – Será porque você tem experiência interior?

R.S. – Acho, como alguém que tem de vida tão agitada quando fora, achei a experiência relaxante.

M.H. – Então você fez uma espécie de meditação espontânea.

R.S. – Bem, temos que encontrar alguma espécie de trabalho para si próprio. Eu costumava escrever. Podíamos escrever, então era o que eu costumava fazer.

M.H. – Então você podia escrever?

R.S. – Podia-se escrever e era isto. O psicólogo recebeu o que escrevemos e o interpretou. Havia muitos testes que tínhamos que fazer: competição de habilidades, testes sobre coordenação neuro – muscular para ver se havia ou não alguma deteriorização enquanto o tempo passava, e também outros, como: pulsação, B.P. que eram gravados todo o tempo.

M.H. – A seleção de quem ia para o espaço deve ter sido muito especial, isto é, achar a pessoa adequada para isto. Você não acha – no seu caso, por exemplo – sentado lá por 72 horas que teve a oportunidade de escrever; mas, deixe-nos saber como se sentiu nas 72 horas em um quarto escuro?

R.S. – Suportei.

M.H. – Neste caso o Yoga seria muito útil, mas, como disse, esta parte do Yoga não foi tocada em seu treinamento, o qual foi mais físico. A parte psicológica também não, por que eles não tentaram isto? Ou, você não a considera necessária?

R.S. – Certo.

M.H. – Então não é necessária?

R.S. – Ficar trancado em um ambiente escuro por um período longo, em primeiro lugar significava uma preparação com possibilidades remotas para onde realmente você esta indo. Por outro lado, estar em comunicação com uma maquina controle cada meia hora não dá nenhum sentimento deisolamento.

M.H. – No caso da comunicação ser cortada por alguma razão e você se sentir perdido por algum tempo, que recursos seriam usados para não entrar em pânico?

R.S. – Para não entrar em pânico, começar a mover toda esta coisa, com indivíduos treinados – treinados mais assiduamente do que não, como pilotos de teste ou comandantes de vôos espaciais que são qualificados, pilotos de teste, por anos se condicionam, treinam para não entrar em pânico. Este é o ponto de partida. Alem disso certamente, haverá variações, dependendo da quantidade de estresse que o individuo pode enfrentar.

M.H. – Você acha que depois desta experiência eles vão desistir do uso do Yoga no espaço?

R.S. – Do que ouvi, alguns dos exercícios foram adotados pelos soviéticos como parte de sua preparação regular para tripulações subseqüentes que irão ao espaço.

M.H. – Seria possível, naquela pequena cápsula, praticar Pranayama, exercícios de respiração?

R.S. – Sim, seria. Quando subimos ao espaço naquela pequena cápsula, com o laboratório que fundamentalmente é outra parte. O laboratório é cerca de 15 a 20 metros de comprimento, o que é parecido com um cilindro e você tem muito espaço para se movimentar. O ponto a se notar é que realmente, não é o bastante para os asanas que podem ser feitos.


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