Mentalidade empresarial na Nova Era

“Palestra na Associação Comercial”

Por: Swami Pranavananda Brahmendra Avadhuta

Aum Namah Shivaya
Caros Amigos,

Antes de tudo, deixe-me dizer como meus amigos Behur, Ani e esse seu criado sentimo-nos profundamente honrados por seu convite para esta reunião.

Somos uma empresa muito pequena e não estamos acostumados a fazer discursos para um grupo tão distinto.

Vocês devem estar muito surpresos ao ver este homem (apontando a si mesmo) vestido desta maneira e dando uma palestra como sendo Diretor Presidente da primeira empresa de fornecimento do Sul da Índia.

Minha roupa demonstra que sou um Sannyasin (monge hindu) e as marcas que tenho na testa não são para me embelezar, mas um sinal, indicando que pertenço a uma ordem religiosa hindu.

Um Diretor Presidente e um Monge? Como pode ser? Sim, isto é possível, pois eu administro uma empresa de 80 empregados, chamada “Fashion International”, estabelecida em Chennai, ex Madras, uma cidade um pouco menor que a sua, porém com seis milhões de habitantes.

Cada vez que um jornalista ou um repórter de TV me entrevista, sua primeira pergunta é: Como é possível ser um Monge e Diretor Presidente de uma empresa? Minha resposta a este jornalista é a mesma que vou dar a vocês agora:

Quando alguém se apaixona, fica apaixonado todo o tempo. Não há um momento de não estar apaixonado desde o momento de acordar pela manhã até novamente adormecer no fim de um pesado dia de trabalho.

Durante todas estas horas, quer estejamos fisicamente perto da pessoa amada, ou não, nunca se cessa de estar apaixonado. Mesmo assim, cumprem-se às obrigações como amante, amigo, marido ou mulher, filho ou filha, homem ou mulher, um empregado ou um Diretor Presidente.

O mesmo acontece comigo. Eu sou sempre um Monge, um homem espiritual apaixonado pelo Supremo a qualquer momento, em qualquer lugar, e com qualquer coisa que esteja fazendo ou não. Portanto, eu posso falar com vocês a respeito da Mentalidade Empresarial na Nova Era, e ao mesmo tempo, ver o supremo naquilo que estou fazendo agora.

Para mim, não há nenhuma diferença. Quando alguém compreendeu pela primeira vez, com seu cérebro, quem se é, é necessário compreendê-lo com seu coração e se isso for realizado, isto nunca mais o deixará, e o acompanhará a cada minuto, cada segundo de sua vida, em qualquer atividade que esteja fazendo ou não. Isto é chamado Awareness (percepção plena), portanto, eu posso muito bem começar meu dia com minhas práticas espirituais que chamamos “Sādhana” e continuar com reuniões com nosso pessoal, tratar dos vários assuntos que devem ser tratados, estratégias a serem postas em prática para serem implementadas, ter negociações difíceis com um cliente, ou apreciar uma piada com nosso pessoal, falar sobre o último cantor Pop, discutir sobre as últimas tendências da moda com nossos relatórios financeiros, ou conversar on-line (pelo computador com nossos escritórios na china, Delhi e Bangalore), ao mesmo tempo. Contudo, eu sou um Swami, um Monge Hindu que nunca deixei de ser.

Como vocês podem ver, sou de origem européia, francês de nascimento, mas indiano de coração, sendo residente na Índia pelos últimos 33 anos.

A índia abriu para mim a porta do conhecimento do “Ser interior”. Uma “indianidade” que se adicionou à minha cultura francesa, sobrecarregada com rígidas convicções cartesianas e modo de pensar, uma maneira nova, fresca, mas vinda de eras passadas, uma consciência indelével, inesquecível de que eu sou isto.

Eu sou este homem, esta mulher, esta criança, este chefe, este empregado, esta flor, esta árvore, esta abelha, esta nuvem, este espaço, este vazio, pois não há nada que eu não seja! Awareness – estar ciente é muito mais que uma crença.

Uma pessoa pode mudar sua crença, mas uma pessoa não pode escapar da sua consciência! Awareness – Consciência que “eu sou você” que “eu sou meu pessoal”, fez-me compreender que sua felicidade vem em primeiro lugar.

O que pode ser mais recompensador que a felicidade de nossos amigos quando na Fashion International, obtém boas encomendas ou um novo cliente, ou quando eles recebem sua porcentagem do faturamento de nossa empresa! Sim, porque eles não somente recebem seu salário mensal e os benefícios do seguro do governo (INSS), mas eles também recebem a sua porcentagem do faturamento da empresa (não lucro – faturamento). O que poderia me trazer uma renda pessoal maior? Mais desta roupa? Mais comida que meu estômago possa acomodar? Jóias? Não tenho necessidade delas, pois não preciso aparentar riqueza.

Estou bem ciente que minha idéia de administração empresarial está muito longe de ser “normal”, e não tenho a pretensão de dizer que pode ser aplicada facilmente em qualquer empresa. Mas acredito que qualquer um com sensibilidade, compaixão e respeito pelas pessoas, preocupado com o bem estar dos outros, e acima de tudo, sendo simplesmente um ser humano completo, em todos os momentos, é o exemplo que eu gostaria de ser para todos os Diretores Presidente, ou os que aspiram vir a ser.

Estou lhes dando este resumo de um site na Internet: “A riqueza dos 100 homens mais ricos do mundo é igual à de aproximadamente três bilhões de homens e mulheres na parte inferior da escala, principalmente em países do Terceiro Mundo”. Parece estarmos aceitando o cenário dos grandes vencedores e tentando ignorar o cenário ainda maior dos perdedores. Os grandes vencedores são ricos e poderosos e os bebês dos grandes perdedores morrem com as barrigas estufadas (inchadas).

Não há a possibilidade de eu poder aliviar o sofrimento destes três bilhões de homens e mulheres ou a vida dos bebês de barrigas estufadas (inchadas). Porém, cada um de nós, em nosso pequeno círculo, em nossa pequena vida, nas empresas que dirigimos, podemos começar por olhar nossos empregados não como uma conveniência descartável, mas como um instrumento para não só fazer a empresa funcionar com mais eficiência, mas também e, principalmente, fazê-la progredir. Se não para mudar esta situação na qual nosso “Pequeno Mundo” se encontra, pelo menos para fazê-lo um lugar melhor para se viver durante o curto tempo que estamos aqui.

Não vou tentar encompridar este pequeno discurso, pois não gostaria de aborrecê-los ou que adormecessem.

Assim, penso que seria melhor abrirmos para uma participação interativa, para colocarem quaisquer perguntas que desejarem sobre este assunto.


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