Observações na PSI e suas fontes segundo Patanjali

Por: C.T. Kengue
Yoga Awareness – 1978
Traduzido por:
Iva Gicovate

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OBSERVAÇÕES na PSI e SUAS FONTES
SEGUNDO PATANJALI

De acordo com o ponto de vista do Yoga, cada mente tem capacidade de poderes supra normais (siddhis). Psi é um termo geral baseado numa letra do alfabeto grego usada pela parapsicologia moderna para denotar as diferentes espécies de fenômenos psíquicos para -normais em geral. A moderna parapsicologia não tem sido capaz até agora de encontrar a natureza exata da Psi. De acordo com os achados de Yoga, contudo, Psi(s) são genéricas por natureza e através de certas técnicas, elas podem ser cultivadas por todo ser humano.

Não há limite, teoricamente, para a extensão destes poderes que podem tornar a pessoa onisciente e onipotente. Contudo, na pratica, é limitada certamente, a extensão de pureza da mente alcançada pelo praticante. Os poderes permanecem latentes ou não manifestados devido às impurezas da mente que entram por causa das forças da atividade (rajas) e da inércia (tamas) envolvidas na natureza primordial (prakrti).

Nas mentes individuais, estas impurezas aparecem sob a forma das quatro tensões responsáveis pela formação do inconsciente. É devido a estas impurezas que a luz do Self (Eu), cuja natureza é pura consciência, não pode atingir as profundezas da mente na qual as potencialidades da Psi também permanecem dormentes. Os diferentes aspectos da principal disciplina do Yoga são direcionados na direção de reduzir e, finalmente eliminar estas impurezas. Quando estas impurezas são gradualmente reduzidas e eliminadas, a luz da consciência começa a penetrar através das camadas mais superiores e a iluminar as profundezas da personalidade. Até certo ponto de iluminação, os poderes começam a se manifestar e definitivamente, quando as impurezas são finalmente eliminadas, o todo da personalidade mental vem por baixo da luz da consciência, o inconsciente sendo completamente reclamado. Os poderes começam a aparecer quando a luz da consciência cruza além do nível do inconsciente pessoal; e quando finalmente ilumina o todo do inconsciente coletivo também, a mente consegue a capacidade de saber e controlar tudo no universo.

Claro, esta é, somente, uma possibilidade teórica. É preciso passar pelos vários estágios antes de atingir esta meta final. Com este objetivo, a pratica em uma vida pode não ser suficiente. É somente depois de uma pratica constante desenvolvida em varias vidas que se pode alcançar o estagio final. Patanjali fala dos sete primeiros estágios limites da Psi, embora ele não tenha claramente os indicado. Estes estágios cobrem a maior parte dos fenômenos supra-normais investigados pela parapsicologia moderna e incluem muitos mais desconhecidos para a parapsicologia, ate agora.

Aqui, consideramos as fontes destes poderes para-normais. Certamente, como já vimos, os poderes estão inerentes em cada natureza de mente, e assim, o inconsciente bem pode ser dito ser a fonte geral de todos os poderes para-normais. Contudo, o problema é como atualizar estas potencialidades ao atacar o inconsciente. O Yoga tentou desenvolver uma disciplina regular de oito aspectos com este objetivo e seu aspecto final, a saber, samadhi pode ser considerado a técnica principal de atualização da Psi. Contudo, Patanjali reconheceu alguns outros meios também com esta proposta. São nascimento, ervas, encantamentos e penitencia.

Em primeiro lugar, há pessoas com capacidade inata para Psi. Esta capacidade pode variar em graus e pode ser temporária ou permanente. Pelos achados dos modernos parapsicólogos, cerca de 20% dos seres humanos têm alguma capacidade natural inata para Psi, embora sejam somente poucos os que podem ser observados de uma forma bem obvia. Estas pessoas não podem contar com o conhecimento e poder que têm e daí, são usualmente consideradas uma ocorrência ocasional. De acordo com o Yoga, contudo, elas podem ser justificadas com base na pratica em vidas anteriores. Usualmente, estes poderes permanecem com uma pessoa temporariamente por um certo período de tempo e então desaparecem. Os psicólogos modernos não podem justificar este desaparecimento também. De acordo com a teoria do Yoga, contudo, pode ser explicado com base no uso incorreto; Se os poderes não forem direcionados propriamente a estágios superiores, eles não só podem desaparecer, mas também causar completa queda da pessoa em questão.

Patanjali também reconheceu o uso de certas drogas para produzir Psi ou experiências para-normais. Ele não deu os nomes destas drogas, evidentemente porque não dá muita importância às experiências para-normais induzidas por drogas. Recentemente, contudo, uma grande parte da pesquisa está sendo feita nas tão chamadas drogas psicodélicas e chegamos às visões divergentes em relação a eficácia e utilidade de tais drogas. O L.S.D. é suposto ser o mais proeminente entre tais drogas. Enquanto que o uso desta ou de outras drogas similares tenha sido proibido por lei na maior parte dos paises, ainda há um numero de atuantes – alguns cientistas sérios entre eles – que mantém que estas drogas podem ajudar a expandir a consciência.

De acordo com Thelma Moss, “poucos cientistas no Ocidente – a maioria, usualmente através da experiência da droga psicodélica – foi dado um outro olhar, uma Realidade mais requintada. É como se, depois de muitos séculos nos quais o mundo Oriental explorou este domínio magnífico, os filósofos e cientistas ocidentais tropeçaram no Caminho por meio de seus experimentos químicos em laboratório. E eles estão agora face a face com o problema que rondou os filósofos e místicos por centenas de anos: por qual caminho pode-se aprender a viajar em direção à realização? Stanley Krippner e Richard Davidson descreveram as implicações religiosas de acontecimentos para-normais que ocorrem durante uma experiência psicodélica induzida, como se segue:

“Se químicos psicodélicos podem induzir ou intensificar uma experiência para-normal, segue que acontecimentos para-normais podem ocorrer em vários graus – em outros estados de consciência também. O que Clark escreveu sobre experiência religiosa induzida quimicamente provavelmente considera igualmente verdadeiras, a telepatia, clarividência e premonição induzidas quimicamente”. Parece difícil duvidar que estas substâncias pelo menos soltem a experiência mística, embora não esteja claro que possamos dizer que elas a produzam?…

“Ocorrências para-normais induzidas quimicamente envolvem uma profunda alteração de consciência – uma alteração não semelhante aos estados que muitas pessoas com percepção espiritual vivenciam… experiências do tipo E S P que ocorrem nos estados alterados de consciência, freqüentemente incluem a impressão subjetiva de fazer contato com algo além de si… …para um individuo ou uma cultura não enfatizar ambos é equivalente a representar elementos importantes de seu ser, ignorar as fontes vitais de força e desviar as áreas críticas do potencial humano. Por este mesmo testemunho, estes fenômenos mal compreendidos devem ser examinados e estudados pelo estudante de religião e pelo conselheiro religioso. Não fazer assim submeterá o tipo de comportamento humano à obscuridade que, ao contrário, deve ser trazido à consciência e dada sua chance de auxiliar o desenvolvimento da humanidade criativa!”.

Embora a utilização de drogas psicodélicas esteja ainda em um estágio primitivo e, pesquisadores não tenham chegado a uma conclusão definitiva quanto a utilidade destas drogas para o beneficio da humanidade, não deve haver objeção em aceitar estas drogas como uma ajuda para induzir às experiências para-normais.Como já foram descritas acima, as drogas psicodélicas induzem às experiências para-normais ao trazer uma mudança no estado de consciência que podem ser comparadas ao estado de Samadhi.

Evidentemente estas drogas acalmam temporariamente o funcionamento da mente consciente e por isso induzem as potencialidades da mente a ativar o inconsciente. Contudo, como as tensões que formam o inconsciente permanecem não afetadas, esta soltura temporária da experiência para-normal pode não conduzir o praticante muito além em direção ao objetivo final.

Tais drogas eram (e são) usadas pelos praticantes tântricos de maneira heróica. Foram consideradas úteis em conquistar obsessões psicológicas e por isto em ajudar na eficácia das técnicas tântricas. Portanto, o uso de tais drogas sem iniciação nas práticas tantricas era considerado extremamente nocivo à saúde física e mental. Pesquisadores modernos estão também muito preocupados com os efeitos posteriores destas drogas; por isto estas drogas são proibidas por lei principalmente por seu objetivo. Depois de passar pela experiência psicodélica, a pessoa comumente se torna um viciado em drogas e fica em terrível depressão na ausência das mesmas. É, talvez, com esta proposta que Patanjali não atribuiu função alguma a tais drogas em sua disciplina regular, embora ele as tenha reconhecido como meio de soltar a Psi. Para Patanjali, as experiências para-normais não têm valor em si, se elas fracassam em levar o praticante além em direção ao objetivo final do Yoga.

O próximo meio anotado por Patanjali para manifestar os poderes para-normais é a recitação de sílabas mágicas. As sílabas mágicas ou mantras ajudam a soltar os poderes para-normais ao estabelecer contato com espíritos ou deidades superiores. Isto foi anotado por Patanjali em conexão com o auto-estudo (svadhyaya) no qual ele inclui repetição de sílabas mágicas também.

Estes mantras consistem de palavras ou sons que podem ser significativos ou não. Quando tem algum significado, as palavras podem provir de qualquer língua. Estas sílabas parecem funcionar de uma maneira misteriosa. A maioria das pessoas que emprega as sílabas mágicas para diferentes propósitos, elas mesmas não sabem como essas sílabas funcionam. Em tempos recentes, alguns cientistas tentaram investigar este fenômeno. Shivananda o descreve assim?: “Sons são vibrações. Eles fazem aparecer formas definidas. Cada som produz uma forma no mundo invisível, e combinações de sons criam formas complexas. Os livros de ciência descrevem certas experiências que mostram que notas produzidas por certos instrumentos traçam num campo de areia figuras geométricas definidas. É assim demonstrado que vibrações rítmicas dão surgimento a figuras geométricas regulares.

Os livros Hindus sobre Música nos contam que as várias formas melodiosas, ragas e raginis, cada uma tem uma imagem particular que estes livros descrevem graficamente. Por exemplo, o Megha raga é dito ser uma figura majestosa sentada em um elefante. O Vasanta raga é descrito como uma linda jovem adornada de flores. Tudo isto significa que um raga ou ragini, quando cantado com perfeição, produz vibrações etéreas em série que criam uma imagem particular, que a caracteriza.

Esta visão recebeu corroborações recentemente da experiência feita pela Sra. Watts Hughes, a autora talentosa de “Voice Figure”. Ela proferiu uma palestra ilustrada ante uma audiência seleta no estúdio de Lord Leighton para demonstrar a bela descoberta científica na qual ela se baseou, como resultado do trabalho de paciente por muitos anos. A Sra. Hughes canta com um instrumento chamado “Eidophone”que consiste de um tubo, um receptor e uma membrana flexível e ela acha que cada nota assume uma forma constante e definitiva, como revelada por um médium sensível e versátil. No início de sua palestra, ela colocou minúsculas sementes sobre a membrana flexível e as vibrações de ar estabelecidas pelas notas que ela emitia, as faziam dançar em padrões geométricos definidos. Depois disto ela usou pós de diferentes espécies, o pó de Lycopodium pareceu ser o mais adequado. Um repórter, ao descrever a forma das notas, fala delas como revelações admiráveis de geometria, perspectiva e de sombra: “Estrelas, espirais, cobras e imaginações que crescem desordenadamente numa riqueza de desenhos metodológicos cativantes”.

Uma vez quando a Sra Hughes cantava uma nota, uma margarida apareceu e desapareceu e “eu tentei” ela disse, “cantá-la por semanas antes; finalmente tive sucesso.”Agora ela sabe que a modulação correta da nota particular que traz a margarida, e é feita constante e definida por um estranho método de alternância de crescendo e diminuindo. Depois que a audiência contemplou extasiada uma série de margaridas, algumas com filas sucessivas de pétalas, observadas delicadamente, lhe foram mostradas outras notas, e estas eram margaridas de grande beleza. “Que maravilhosas, que lindas”: eram as exclamações audíveis que surgiram depois, do estúdio de Lord Leighton; uma forma esquisita sucedia outra forma esquisita na tela; as flores eram seguidas de monstros marinhos, formas de serpentina redondas inchadas, cheias de luz e sombra e detalhes que se alimentavam ha milhas de perspectiva. Depois destas notas surgiram formas de outras árvores, árvores com frutos caindo, árvores em primeiro plano de rochas, arvores com o mar atrás. “por que” exclamavam as pessoas na platéia, “elas são como paisagens Japonesas”.

Então na França, o canto do hino à Virgem Maria de Madame Findlay fez surgir a forma de Maria com a criança Jesus em seu colo e outra vez, o canto do hino a Bhairava por um aluno Bengali de Varanasi que estudava na França, deu surgimento à formação da figura de Bhairava em seu veiculo, o cão.

Assim, o canto repetido do nome do Senhor formou gradualmente a forma do devata ou a manifestação da divindade que procuramos adorar, e isto age como um foco para concentrar a influencia benigna do Ser Divino, que irradia do centro, penetrando no adorador”.

Alguns psicólogos ofereceram outra teoria para explicar o trabalho misterioso dos mantras. De acordo com eles, as palavras nos mantras não são muito importantes e devem ser consideradas só como totens. Elas acordam o subconsciente ou super-consciente através da sugestão. É realmente a fé que faz maravilhas. Encanto ou Mantra é só um símbolo para acordar o poder da fé. Os que empregam encantos normalmente agarram-se a uma seqüência particular de palavras, letras ou sons só por causa da alta estima que eles têm pelo fundador original do mantra e a linha subseqüente de professores. Patanjali, como já mostramos, parece preferir a explicação primeira. Contudo, qualquer explicação que aceitemos, permanece o fato que as tensões ou impurezas da mente não podem ser atacadas e removidas ao empregar os encantos para conseguir poderes para-normais. É, portanto que, embora Patanjali tenha dado alguma margem para svadhyaya ou repetição de mantras na principal doutrina do Yoga, ele não recomenda usá-los para adquirir poderes para-normais.

Tapas, ou austeridade, é outro meio para soltar Psi, de acordo com Patanjali. Em Tapas, a pessoa se submete à mortificação do corpo e mente e assim aumenta o poder de resistência. Também ajuda naturalmente o processo de concentração. Muitas vezes, pelos diversos processos de austeridade, tenta-se agradar alguma divindade ou espírito superior ao estabelecer contato com ele.

Na mitologia Indiana, deparamos com um numero de estórias de pessoas que praticam a penitencia ou tapas para conseguir bênçãos das divindades as quais adoram. É também mantido que mesmo o reino dos céus pode ser ganho ao se acumular retidão por tapas. É daí que um número de mitos fala de Indra, o senhor dos deuses, que está preocupado com a rigorosa pratica de penitencia, apresenta um numero de tentações para dissuadir o praticante da pratica empreendida por ele. Assim, tapas trabalha de duas maneiras diferentes. Primeiro, aumenta o poder de resistência, e, segundo, estabelece contato com alguns espíritos avançados. Pode se tornar um meio de soltar os diferentes tipos de poderes para-normais principalmente pelo segundo processo, embora certamente o poder mental e físico seja aumentado pelo primeiro processo também.É o primeiro processo que ajuda a purificação da mente, e foi-lhe dado devido campo de ação por Patanjali na disciplina principal do Yoga. Contudo, praticar penitencia para obter algum poder para-normal através do segundo processo não parece muito desejável, de acordo com Patanjali.

Além destes quatro meios mencionados por Patanjali, alguns outros meios também foram apontados por comentaristas. Assim, certas jóias ou pedras preciosas, etc. são também supostas a ajudar a soltar a Psi. Leitura de cristal é um fenômeno bem conhecido que é reconhecido por para-psicologistas modernos também. Vários astrólogos usam cristais e pedras preciosas para falar sobre o futuro. Eles dizem que podem ver os acontecimentos futuros nos cristais, como um filme. Como austeridade, as pedras preciosas também foram freqüentemente referidas na mitologia Indiana como precursoras de poderes para-normais peculiares.O trabalho destas pedras é muito mais misterioso e difícil de explicar. As diferentes espécies de poderes para-normais não podem ser explicadas apropriadamente só em considerá-las como totens.No estado atual de nosso conhecimento, é melhor aceitar nossa inabilidade em explicar o funcionamento destes objetos curiosos. Além destas pedras, conchas, etc, são também supostas ser as fontes de soltura de alguns poderes para-normais peculiares. De qualquer maneira, todos estes meios não levam o praticante muito mais longe em direção do objetivo final, e daí não serem recomendados por Patanjali.

Deve ser lembrado que a mera posse de poderes para-normais não acrescenta ao nosso bem-estar de maneira alguma. Pelo contrario, é como criar mais problemas. Para dar um exemplo, percepção extra sensorial, se não acompanhada por uma atitude de imparcialidade, trará mais inquietação. Quando nós usualmente estamos perturbados pela nossa percepção sensorial normal, qual é o uso de percepção extra-sensorial? Similarmente, preconizar somará as nossas preocupações imensamente. É daí que Patanjali chamou tais poderes para-normais “obstáculos para a vivência da tranqüilidade”. O quanto eles podem ajudar em resolver problemas sociais é também um ponto questionável. Patanjali, entretanto, não recomendou estes meios de soltar Psi. Mesmo no caso de contemplação ou Samadhi, e o meio recomendado por ele, ele lembrou aos praticantes o tempo e outra vez que a aquisição de faculdade superior de conhecimento deve ser direcionada apropriadamente para o surgimento de estágios mais altos de contemplação. De outra maneira, eles podem levar a uma queda. Não deve haver nenhum apego aos poderes para-normais também e, nunca se deve ficar orgulhoso deles. São para serem considerados como marcas no caminho que leva em direção ao objetivo final. Isto tem que ser também lembrado pelos praticantes da principal disciplina óctupla.


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